Capítulo 2 - A Toca do Coelho

(Em sequência ao capítulo "O Mundo normal")



Você anda até a passagenzinha e desliza os olhos novamente pela placa onde se lê: ``Só se pode ser feliz AGORA”.


Você sente um arrepio percorrer o seu corpo e uma vontade inexplicável de caminhar na areia. Mesmo com uma pontada de culpa por não ir encontrar seus amigos, você decide seguir a sua intuição.


Descalçando os sapatos e segurando-os na mão, você sente o toque morno da areia e se esgueira pela passagenzinha em direção à praia .


Enquanto caminha, você observa o mar, com toda a sua potencialidade e imensidão, e a irreverência de suas ondas, sempre a construir e a desconstruir rochedos, imprimindo nas rochas formas diversas, como se estivessem a brincar juntas de esculpir o Davi do Michelangelo.


Você escuta o silêncio ruidoso do mar e observa toda calmaria por detrás da agitação. Você se sente conectada com a Vida de uma forma que há muito tempo não se lembrava


De repente, sua atenção é capturada por um objeto que se movimenta na superfície das águas. Olhando mais atentamente, você percebe que é um barquinho em miniatura, navegando sem destino, na parte rasa .


Você se pergunta, surpresa, de onde ele pode ter vindo, mas se dá conta de que provavelmente jamais saberá a resposta. -“Talvez alguma criança tenha perdido”- você pensa.


Você prefere entrar na água e pegar o barquinho ou ir embora da praia?



………..


Você decide então tentar pegar o barquinho para olhar mais de perto.




Você dobra a sua roupa até acima dos joelhos e entra na água, sentindo a água fria bater em suas pernas. Você estende a mão para pegar o barquinho.


Com ele na mão, você observa que deve ter no máximo 20 cm. “ Que audacioso esse pequeno barquinho, navegando bravamente por toda essa imensidão e enfrentando as ondas como se nada pudesse detê-lo”- você pensa

.

Você então começa a observar os seus detalhes e conclui, pelo entalhamento extremamente bem-feito, que foi esculpido por alguém que provavelmente entendia muito de barcos.


Ao deslizar a mão pelo convés, você sente uma pequena protuberância e percebe que ele tem uma espécie de “tampa”. Você coloca os seus dedos pela abertura e levanta a tampa para revelar o seu interior.


A tampa se abre com um estalido. Ao olhar a parte de dentro do convés , você vê

Um pedaço de papel amassado e uma chave, aparentemente bastante antiga. Claramente aqueles objetos foram deixados ali propositalmente para alguém os encontrar. - Talvez não tenha sido uma criança, afinal de contas.- você pensa.

.

Surpresa. você desembrulha o papel e lê, em seu centro, os seguintes dizeres : “conhece-te a ti mesmo” .


Você acha tudo aquilo esquisitíssimo e se pergunta se foi sugada para dentro do livro “ O Mundo de Sophia” ou se por acaso tropeçou e caiu inadvertidamente na toca do coelho da Alice. Você se pergunta se era mais uma das brincadeiras do seu amigo. Isso está indo longe demais - você pensa.


Fosse o que fosse, as coisas estavam ficando cada vez mais estranhas. Você sentia que algo em você estava sendo mexido, revirado e transformado. E fosse o que fosse. você não queria que parasse.


Você então pega um bloquinho de anotações e escreve no alto da primeira página:


Quem sou eu?


Você mesmo não consegue responder direito.


Existem tantas respostas para essa pergunta, em tantos níveis e dimensões diferentes -você pensa , um tanto quanto perturbada.

Você olha no estranho relógio da caneta e, pela direção dos ponteiros, percebe que são 15:10 e, ao mesmo tempo, lendo o que está escrito, pensa “AGORA”.

São 15:10, mas também é agora. Quando for 16 ou 18h também será agora. É sempre agora. Eu sou o AGORA. Eu sou.


Um tanto quanto tonta, sem saber de onde vieram tantas reflexões, você se senta na areia com seu bloquinho no colo. E escreve

Eu sou. Agora.

E dá um suspiro de alívio. Eu sou. O agora.




Percebendo que ainda lhe resta algum tempo até encontrar _________ você começa a refletir um pouco mais sobre quem você é os papeis que desempenha neste mundo, e decide deixar tudo escrito para consultar depois


Desenhando o seu AVATAR


  • Nome:

  • Idade:

  • Data de nascimento:

  • Meus pontos fortes:

  • O que me limita:

  • Meu maior sonho:

  • O que queria ser quando era criança:

  • Habilidades que preciso desenvolver:

  • Hábitos positivos

  • Hábitos que preciso melhorar:

  • Quem pode me ajudar:

  • Minha visão de futuro ideal (onde eu estaria morado, como seria o meu dia perfeito. que atividades eu estaia fazendo, como usaria o meu tempo livre, não se limite. )

Espaço em branco para pensamentos que surgirem.






Quando você se dá conta, 30 min se passaram. E você só percebe isso porque o seu telefone apita avisando sobre a chegada de uma nova mensagem. Estranho, você pensa. Não reconheço esse número.


Você escolhe abrir a mensagem :

Nela está escrito “Quantas ondas tem o mar?”


Você se pergunta se aquilo é um tipo de piada ou algo assim. É óbvio que não se pode contar quantas ondas tem o mar. Até porque o mar não tem as ondas, assim como as ondas não tem o mar. As ondas simplesmente passam por ele, se formam, fazem barulho batendo nos rochedos e depois simplesmente vão embora.


“É assim com meus pensamentos também” - Você reflete um tanto quanto perplexa.


-Nunca pensei sobre isso, mas, embora eu tenha vários pensamentos todos os dias e a todo momento, eles não fazem parte de mim. A água sim, é uma parte inseparável de quem eu sou, mas as ondas.,, As ondas simplesmente vão e vem, em um fluxo contínuo de construção e desconstrução.


-Eu não preciso surfar nas ondas que não quiser, mas também não preciso tentar detê-las. Posso apenas observá-las .


É assim também com os meus pensamentos! - concluiu, eufórica . Eu não preciso embarcar em todos eles, eu posso apenas observar que estão presentes e deixar que passem , seguindo o seu curso.


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