Capítulo 1- O mundo normal




Seu alarme toca pela terceira vez hoje. Dessa vez, você consegue conter o impulso de apertar o botão soneca. Desanimada, você percebe que, a não ser que tenham inventado uma ´máquina do tempo enquanto você dormia, certamente chegará atrasada.

Mas tudo bem, suspira pensando enquanto levanta da cama e vai encher um copo d’água, você nem queria de fato ir a esse encontro mesmo.


Você lembra da lista interminável de coisas que tem a fazer e se pergunta por que diabos mesmo combinou de encontrar os seus ex-colegas de faculdade , quando tudo o que mais queria era ficar em casa procrastinando e se culpando por todas as coisas que precisava fazer e que não fazia, enquanto via alegremente um documentário sobre a vida secreta dos macacos-prego ou algo igualmente inútil.


“Porque nós não nos vemos há muito tempo"- você lembra a si mesma o argumento que a Júlia usou para te convencer a ir- enquanto escova os dentes e escolhe uma roupa para vestir.


Vamos visitar o seu guarda-roupas:

De que forma você prefere se vestir?


( ) Calça e blusa básicas ( ) coloridas e despojadas ( ) Clássicas e elegantes




Esse espaço é seu. Se quiser , desenhe as roupas que prefere usar no início da sua jornada. Mas lembre-se de escolher sapatos confortáveis porque será uma viagem e tanto!



ESPAÇO PARA DESENHAR




Nesse momento o seu telefone toca. É a Júlia que está te ligando para lembrar a você do local em que marcaram de se reunir. Era um restaurante recém-inaugurado em um shopping a alguns quilômetros da sua casa.


Como eu poderia me esquecer? - você se pergunta- você matraqueou sobre isso durante toda a semana!


Você se despede, desliga o celular, veste a roupa, toma um café às pressas e vai ao estacionamento buscar o seu carro.


Escolha o modelo que quer dirigir na sua aventura ; _________________

...


Embora o shopping não ficasse assim tão distante, a viagem estava sendo bem estressante. Você pegou um engarrafamento enorme e a vontade mesmo era de dar meia-volta e ir para casa se enfiar em um moletom e passar o dia debaixo das cobertas vendo um filme.- você está distraída com seus pensamentos quando um motociclista passa próximo demais ao seu carro, e colide o retrovisor no seu com um estrondo. Você fica furiosa, mas ele simplesmente vai embora sem te dar tempo para reclamar.


Chateada, você para o carro num estacionamento próximo, e salta para checar os danos. O estacionamento em questão pertence La Maison bistrô, um restaurante requintado e intimista a beira-mar, que você sempre promete a si mesma que ainda vai conhecer.



Na adolescência , você e seus amigos costumavam olhar para ele quando iam caminhar na praia, admirando secretamente através da parede de vidro que revelava o seu interior amplo e requintado, com móveis sofisticados, garçons arrumados e clientes tão bonitos e bem-vestidos que pareciam prontos para a qualquer momento encenar o novo filme do James Bond. Vocês costumavam zombar deles, com um toque de inveja : "filhinhos do papai sortudos", não sabem o que é ter um dia difícil na vida vocês costumavam dizer.


. "Um dia ainda vou conhecer esse restaurante"- você diz a si mesma mais uma vez, já mais tranquila depois de constatar que não houve nada com o carro, além de um pequeno arranhão no retrovisor. Você senta novamente no banco do carro, ajusta o retrovisor interno, tateia sua bolsa procurando por seu batom preferido e aproveita a parada não planejada para retocar a maquiagem.


Subitamente, um reflexo te surpreende. Você avista de longe um homem alto e muito bonito, que lhe parece familiar demais para ser um completo estranho, porém elegante demais para ser qualquer uma das pessoas que você conhece

Seria algum artista famoso? Seria da televisão que você reconhecia aquele rosto?- você se pergunta intrigada, e desce para conseguir ver melhor.


Para a sua enorme surpresa, o estranho muito bem vestido acena e sorri para você, começando a caminhar em sua direção com passos firmes e decididos . Assustada, você tenta decidir se acena de volta ou se sai correndo, mas, pensando bem , seriais killers provavelmente não andariam assim tão bonitos e bem-vestidos …


Você opta por descer do carro e fica olhando desconfortavelmente para seus próprios sapatos, desejando ter acordado um pouco mais cedo para se arrumar melhor. se perguntando se seria o karma ou algo assim, e porque o destino tem essa mania de enviar estranhos bem-vestidos justamente quando você sai de casa toda desarrumada. Que senso de humor perverso esse Universo tem- você pensa.


Porém, quando o " estranho" para na sua frente você sente um choque de mil volts percorrer seu corpo. E a sensação fica ainda mais forte quando ele lhe cumprimenta pelo seu apelido, _________.


.A verdade é que você reconheceria aquela voz a quilômetros de distância. É um amigo antigo, que você não vê a anos. Você faz de tudo para se recompor:


- Uau, você sabe mesmo como fazer uma entrada impressionante não é? -E ri, tentando disfarçar a surpresa e quebrar o gelo. Nossa você mudou muito! O que houve?


Ele sorri misteriosamente para você e diz:


-Vem, te pago um drink e te ajudo a descobrir - disse ele, olhando em direção ao La Maison bistrô e estendendo o braço para você segurar


Você olha rapidamente para o relógio. Se aceitasse, você iria se atrasar ainda mais para o encontro.

- Foda-se. a Júlia e os outros vão ter que entender - você pensa - Afinal, não é todo dia que estranhos-velhos-amigos-bonitões cruzam o seu caminho. E você tinha acabado de pensar que queria conhecer aquele restaurante. Não seria esse um sinal do universo? Talvez o universo não seja tão perverso assim, a final de contas.

-Tudo bem, eu só não posso demorar- responde .


Você sente um estranho misto de calor e frio no peito e no fundo do estômago e se pergunta, com uma mistura de medo e excitação, se as coisas não poderiam acabar tomando um rumo perigoso, visto que você estava obviamente atraída por ele; mas engole o medo, pensando: " eu realmente preciso descobrir o que houve porque, o que quer que ele tenha feito na vida dele, eu preciso fazer na minha também.” - segura em seu braço estendido, e os dois caminham juntos para a entrada principal do restaurante.


Ao chegar, são recebidos cordialmente por um maître impecavelmente arrumado - como tudo à sua volta.

-Ola, Sr. ______________, sentará à mesa de sempre? - e após receber um aceno de cabeça afirmativo, ele os direciona até a mesa aparentemente já reservada para dois.


Você olha a sua volta- nada mau, você pensa, reparando no teto alto com vista para o céu azul, nas mesas elegantemente dispostas com toalhas brancas, e no número alarmantemente alto de talheres em cima da mesa .


-Olha a gente, indo para o La Maison Bistrô, tão adultos e elegantes - você brinca, tentando disfarçar o nervosismo - ele não ri e nem devolve a brincadeira.


Ao sentar à mesa, você encara aquele rosto conhecido e sente um conforto instantâneo. Lá estava ele, o seu amigo de infância, os olhos verde água com o mesmo brilho inocente e brincalhão de sempre. Você imediatamente se dá conta de quanto estava precisando de um amigo. A sua vida andava um caos. Mas nota também que havia algo muito diferente nele .


Mas que diabos, COMO ele poderia ter perdido tanto peso, ganho tantos músculos e estar com as roupas tão impecavelmente alinhadas - você você se pergunta, enquanto ele pede o menu de drinks.


Você se lembra dos tempos em que andavam juntos e ele estava sempre com os cabelos totalmente desgrenhados, a barba por fazer, e as roupas que mais pareciam tiradas de um filme de guerra. Além disso, ele agora tinha um ar totalmente diferente, como se estivesse mais conectado, mais feliz, como se uma luz nova brilhasse de dentro dele e pudesse ser sentida a quilômetros.. .você não conseguia identificar exatamente o que era, mas ele simplesmente parecia uma pessoa completamente diferente, e ao mesmo tempo continuava o mesmo amigo com quem dividira confidências, choros e até mesmo um tímido beijo, antes dele ir embora de repente.


Ele percebe que você está totalmente absorta em seus pensamentos e pede o seu drink preferido um _______________.

Mas, olha, ele ainda se lembra - você pensa, surpresa- talvez, algumas coisas não tinham mudado, afinal de contas.


Quando os drinks chegam ele agradece educadamente ao garçom e faz questão de te servir. Você percebe que deveria estar disfarçando muito mal o espanto porque ele olha para você divertidamente e pergunta:


-Eu mudei tanto assim?


Você o encara com os olhos semicerrados como sempre faz quando está chateada com ele e pergunta se ele é estúpido. Ele ri alto, se divertindo com a sua surpresa e diz, adquirindo subitamente um tom sério:


- Você quer saber como eu mudei tanto?


Você acena que sim, enquanto engole o drink.


-Eu vou te contar. Em breve, Mas antes, me fala um pouco sobre você. Como vão as coisas?


Vocês conversam. pedem alguns petiscos (deliciosos por sinal). Você conta a ele um pouco de tudo que aconteceu desde que ele deixou a cidade. Ele escuta atentamente, te faz rir um pouco dos seus problemas, e, por alguns instantes, é como se ele nunca tivesse ido, como se o tempo não tivesse passado e vocês ainda fossem os mesmos melhores amigos de sempre.


Depois de comerem e beberem o suficiente , ele retoma o assunto:


- Você quer saber porque estou aqui hoje? Quer mesmo saber como eu mudei tanto - ele pergunta cravando os olhos verde água nos seus e te fazendo sentir um arrepio desconfortável.


Você acena pedindo para ele continuar, ao que ele se ajeita na cadeira e responde com mais uma pergunta:


- Você quer a resposta curta e óbvia ou a longa e surrealista? - você começa a se irritar

com todo aquele mistério, mas antes que pudesse reclamar, ele continua.


- O fato ,________ ___é que eu sou um viajante do tempo. Estive no passado, presente e futuro. Mergulhei por várias dimensões e em cada uma delas me conectei a minha melhor versão. Juntei todas e aqui estou eu. Gostou? Vim aqui só para te ver.


Você olha para ele incrédula, os olhos semicerrado, e ele te devolve com uma gargalhada, recostando-se na cadeira, se divertindo com o seu ar de revolta - ele sempre fora muito brincalhão , parece que isso não havia mudado - você repara.


- Calma, eu tenho uma resposta curta e simples para sua pergunta também: Eu li um livro.

Você agora não sabe com qual das duas respostas fica mais chateada. Só de pensar na ideia de que um livro poderia ter um efeito tão grande assim na vida de uma pessoa.. você se lembra, imediatamente se sentindo culpada pela pilha de livros não lidos acumulados em sua casa, aumentando ano a ano, junto com as metas não cumpridas. Você começa a se se perguntar que diabos vinha fazendo feito da sua vida até então.


Voltando ao momento presente, você pergunta, em tom brincalhão:


-E de que livro estamos falando, caro amigo viajante do tempo?


-Você já vai descobrir- ele responde, olhando para o relógio- Vamos combinar um horário para conversarmos sobre isso e eu te explico tudo- diz, pegando um IPAD para agendar o compromisso.


"Meu Deus, ele agora marca compromissos na agenda também ?"- você pensa- Logo ele que nunca planejava nada na vida e costumava dizer que a graça estava na espontaneidade.


. Ele finge que não percebe sua surpresa e direciona os olhos para o aparelho, checando rapidamente os compromissos do dia.


Em um vislumbre, você percebe perplexa que já havia um horário com seu nome anotado nele.


Mas como, diabos ele poderia saber que se encontrariam, sendo que havia anos que não se falavam e, pior ainda, o fato de vocês terem se esbarrado foi algo totalmente acidental. Ou não teria sido? - você começa agora a se questionar. -Será que ele estava me seguindo todo esse tempo? Teria ele se tornado mesmo uma espécie de stalker - psicopata-serial killer?


Ele ri percebendo o espanto mal-disfarçado em sua expressão. e diz, tocando a sua bochecha, que imediatamente fica quente.

-Você fica uma graça quando está assustada - ele diz, deslizando os dedos pela sua bochecha e aumentando ainda mais a sensação de calor em seu estômago . Você se controla, tentando ignorar a vontade de beijá-lo ali mesmo, psicopata ou não.


Para a sua salvação, ele se afasta, continuando:


-É normal que tenha medo. Sua vida está prestes a mudar. Total e irreversivelmente. Me encontre às 16h naquela livraria de sempre e eu te mostro como tudo começou. Só não se atrase - disse dando um olhar de quem te conhecia muito bem, sabendo que você provavelmente atrasaria de qualquer maneira.


Dito isso, ele paga a conta e sai, deixando você sentada na mesa sozinha atônita, tentando entender se tudo aquilo tinha acontecido mesmo ou se você estava em uma espécie de um sonho hiper-realista ou até talvez um surto psicótico. Fosse o que fosse, você estaria lá as 16 h, pontualmente. Você precisava desesperadamente saber o que tinha acontecido. Se houvesse qualquer chance de conseguir um nível de mudança como aquele, você agarraria e não se atrasaria um mísero minuto. Não mesmo, suspirou.


Quando você faz menção de se levantar, o garçom vem até você e te entrega um pequeno bloco para anotações junto com um pacotinho de canetas stabilo. Você imediatamente nota que uma delas, é bastante diferente das outras. Ela tinha um pequeno reloginho na ponta (por que diabos, só ele mesmo para dizer).


Meu Deus, isso que é ir longe em uma brincadeira - você pensa-. E, não bastasse isso, a cor da caneta essa era justamente _________ a sua cor preferida. Você olha para o garçom confusa;


-Mas que diabos...? - ao que ele sorri, dando de ombros:


- Ordens do chefe- ele se limita a dizer, saindo i sem te dar tempo para mais perguntas.


Você pega a caneta nas mãos e , olhando para ela um pouco mais de atenção, você percebe, para a sua surpresa, que o tal do relógio realmente funciona, com os ponteiros em miniatura se movimentando normalmente, Porém, não existiam números nele, apenas uma palavra escrita em todas as direções: "AGORA"


Você não sabe se fica irritada, intrigada ou lisonjeada com a sua falta de limites. De qualquer maneira, você sai do restaurante e retorna ao estacionamento.


Enquanto caminha em direção ao carro, você ouve o seu celular apitar, provavelmente pela décima vez. São seus amigos querendo saber o que aconteceu e perguntando se você ainda vai se encontrar com eles.

Você começa a digitar uma mensagem, depois apaga, quando seus olhos reparam em uma estreita passagenzinha em direção à praia, com uma placa em que se podia ler : “só se pode ser feliz AGORA”.


Você fixa o olhar na placa, se perguntando se seria apenas mera coincidência ou era mais uma das- aparentemente intermináveis - brincadeiras do seu amigo. De qualquer forma, agora você tem duas opções: caminhar na praia ou ir encontrar o seus amigos.




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